sexta-feira, 14 de maio de 2010

Solteira, casada ou tico-tico no fubá?




A pergunta acima era feita pelo Sílvio Santos, na década de 80, toda vez que uma "garota do auditório" era entrevistada por ele. Havia sempre uma resposta segura: "solteira" ou "casada". A expressão tico-tico-no-fubá ficou associada àquelas que não eram uma coisa nem outra, as indefinidas.


Todas as mulheres sonham em encontrar o amor da sua vida, casar-se com ele, ter filhos, ir bem na carreira profissional. Não necessariamente nessa ordem. Mas todas da minha geração queriam colocar uma aliança no dedo, de preferência com o homem certo. Por que eu seria diferente? Sou moderna, mas não nasci para ser uma Coco Chanel.


A pergunta do Silvio Santos, personagem de tardes de domingo na minha adolescência no interior mineiro junto com o frango caipira e a macarronada, vira e mexe surge na minha cabeça. Mas essa semana, como em nenhuma outra, ela lateja como uma enxaqueca. Desde que recebi a cantada de um homem que todos os dias vinha me observando a caminho do trabalho. Bem apessoado, o gajo demorou duas semanas para se aproximar de mim e perguntar: "solteira ou casada?".


Imediatamente a voz do Silvio apareceu na minha cabeça, como letreiro de motel: "tico-tico-no-fubá". Era a única resposta verdadeira. Mas eu menti, obviamente dizendo que era casada, pra me livrar da cantada. Ele rapidamente olhou para minha mão esquerda, procurando o obvio: a aliança. E não encontrou. Sorriu de lado e seguiu, não sem antes dizer: "você é linda e se fosse seu marido colocaria uma aliança no seu dedo".


Me livrei do cara, mas não das suas palavras, nem da frase do apresentador do SBT, que estão como que escritas na minha testa: "ela é tico-tico-no-fubá". E isso está mexendo comigo. Muito. Mais do que eu esperava.


Juro que pensei que esse era uma assunto superado. Afinal, sou jornalista,  mais de 40, escolada, divorciada e mãe de três filhos, moderna e... romântica?? Já tive uma aliança no meu dedo e naquela época não foi bom. Mas era simplesmente o cara errado.


Aprendi o termo "namorido" com a Carolina Dieckman. Não a conheço pessoalmente, claro. Mas li a respeito do que ela respondeu ao ser perguntada sobre seu estado civil, isso há alguns anos, quando a viram de anel no dedo. Ofertado pelo namorido, claro. Pergunta se ela recusou?Até ela, tão moderna e atriz, tem uma aliança no dedo.


Admito: não gosto nem um pouco do título de tico-tico-no-fubá. Pode haver quem se sinta confortável, mas pra mim isso é meio-termo. Meios-termos só dão certo quando se trata de uma guerra, em que se fazem tratados, acordos. Ou então em receitas de bolo, quando é possível encontrar um meio-termo entre 1 xícara de farinha e 1/2 xícara de farinha. Coloca-se 1/4 de xícara e pronto. Meu coração, a minha cabeça, minha vida não querem mais meio-termo.


Quando alguém me perguntar de novo se sou casada ou solteira, quero dizer "casada" ou "solteira". O termo "namorando" não é um meio-termo, é um termo que indica uma situação temporária. Ou seja, algum dia a gente vai se casar. Mas quando? Quem quer namorar a vida inteira? Ora, quando a gente descobre que ama alguém de verdade logo quer ficar com ele pra sempre e aí o namoro vira... "tico-tico-no-fubá"??? Não, vira compromisso sério. E uma aliança marca esse compromisso. Além de ajudar a afastar inconvenientes.


Eu quero uma aliança no dedo. Digam o que quiserem de mim as feministas ou as modernistas e fashionistas de plantão. Como diz o velho "Tremendão", na voz da Marina: "quero um homem pra chamar de meu". Com uma aliança no dedo, pra todo mundo ver.

3 comentários:

Big Head disse...

Estive por aqui... Grande abraço, Daniel

Pat disse...

Adorei.... simplesmente adorei o texto...
beijos
Patrícia

Regiane Ivanski disse...

Oie!
Adorei o post...Quando puder apareça pra uma visita!
Bjs
Regiane