
Ta certo. Tem hora que a gente exagera. Você bem que tentou não errar na mão. Postergou inclusive as decisões, mas o cara era insistente. Vai ver queria mesmo um sacode. Mas... Tem sempre um "mas". E admitir que cometeu um erro não é coisa à qual se acostume assim, facilmente, como se fazer um mea culpa fosse a coisa mais natural do mundo. Quase sempre dizer "ops! errei..." não é lá muito aprazível. Mas admito, eu, que nos últimos tempos ando mais mole, isso faz um bem danado.
Pode doer na hora. Aliás, dói mais na hora em que a gente sente que carregou na mão e que aquelas quatro ou cinco palavrinhas poderiam bem ter sido contidas. Poderiam, né. Mas já foi. Já era, amigo. Dói muito momentos antes de se tomar a decisão de fazer o óbvio: pedir desculpas.
E não vale aquela desculpinha besta, tipo "oi, foi mal". Na verdade, o pedido de desculpas requer quase um ritual interior. O sujeito vai primeiro se acostumando com a idéia. Isso vai fazendo com que seu ego inflado vá murchando aos poucos, sabe? A fase seguinte é de adormecimento diante da conclusão inevitável: "o pedido de desculpas deve ser feito porque isso fará bem ao próximo e liberatar a sua alma". Olha só que frase mais transcedental! É quase um mantra! Pois o próximo passo é recitá-lo interiormente até que uma onda de otimismo se sobreponha totalmente à sua vontade de fazer de conta que nada daquilo aconteceu e que esse papo meu ta qualquer coisa, enfim que estamos muito além de Marraquesh.
Resistiu à tentação? Pediu desculpas em alto e bom som? Ou em letras compatíveis com a capacidade de enxergar do olho humano? Sentiu? Agora nem doeu né?
Ahã. Vaii dizer isso pro seu editor-chefe agora querido. A edição do jornal fecha em dois dias e sua reputação depende disso. Ou pelo menos a sua consciência como jornalista. Doído mesmo vai ser fazer o seu chefe entender.
Até amanhã.