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segunda-feira, 3 de outubro de 2011
Chove chuva, chove sem parar...
Ai... essa chuvinha que ta caindo agora aqui em BH é tudo de bom, viu? Tanto tempo esperando esse arzinho de terra molhada, tantos meses aguentando a garganta seca e o nariz irritado... agora Deus nos abençoa com ela, a chuva! Lavando tudo, ela chega, em pleno outubro, pintando de cinza o céu de Minas e aliviando nossas matas desse inferno chamado queimada. Sinceramente, não sei o que pensar dessas almas tristes que botam fogo nas matas. Juro que ao passar pelas estradas, ouço gritos de desespero vindo do cerrado em chamas. O que estamos fazendo com o nosso planetinha?
Bom, Lili anda reflexiva demais. Sumi por uns dias com justa causa: projetinhos na área profissional de urgência máxima que não me deixaram alternativa que não fosse dar um breque no bloguito. Mas...Lili volta radiante, com energias renovadas pelo domingão que passou na serra, num lugar mágico. Banho de cachoeira geladinho, amigos em roda de violão, bom papo, ótima música, cheiro de mato, abraços em árvores, gente nova e interessante na minha caderneta de telefones e um calzone de salivar até o mais impoluto dos monges budistas. Pronta então a receita do domingo perfeito! Divido isso com vocês, meus fieis companheiros de blogagem. Vão ter de ficar imaginando essas cenas aí, porque celular é tudo de bom quando não acaba a bateria na hora em que a gente mais precisa.
Mas pra um retorno de verdade, tem de ter um post para casa. Então vai aqui a minha velha mania de reaproveitar coisinhas. Lili não perde caminhada. Na ida para a serra, tratei de relaxar tomando uma ice - tava um calor da peste aqui ontem. Como garrafa boa é garrafa útil, juntei a dita cuja às minhas tantas e umas mini-margaridas. Deu nesse arranjinho singelo mas muito cute-cute para o cantinho especial da casa. Bom, né? Porque aí não tem chance de elas, com essa chuva, virarem depósito de larvinha do mosquito da dengue. Então é isso. Tem garrafa em casa, mas não tem um cantinho florido? Agora não dá pra ter desculpa...A ordem é: beba com moderação e, se beber, além de não dirigir, leve a garrafa pra enfeitar a sua casa. Bj!
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segunda-feira, 29 de agosto de 2011
Vesperata em amarelo
Inspirada e cutucada pela blogueira sensível Ragiane (Design & Decoração), vai aqui minha vesperata da Primavera, que faço em homenagem ao ipê amarelo (esse aí da foto), minha árvore, cujo exemplar cresce vigoroso lá no sítio e em todo o cerrado mineiro (ainda):
"Sou do cerrado. Do sertão mineiro que inspirou Guimarães Rosa. Tanto que foi na cidade em que cresci - Corinto - e na em que nasci e vivi por 15 anos - Curvelo, que foram gravadas as principais cenas da minisérie global "Grande Sertão: Veredas", retirada da obra-prima desse mestre das letras. Assim como tenho orgulho disso, tenho também um prazer enorme em contemplar os ipês amarelos que florecem entre agosto e setembro. Como o mandacaru, que "fluora na cerca" anunciando que a chuva chega no sertão (ai que linda poesia de Gonzagão e Zé Dantas!), aqui nessas bandas o ipê florece garboso no meio do cerrado, nas praças e ruas, berrando com suas flores de amarelo-gema: "sorriam, a Primavera está chegando, minha gente!". E aí não tem quem não se alegre, que não tire do rosto nem que seja uma lasca de riso, que não desfrise o cenho, que não tire o risco da testa ao colorir os olhos com tamanha formosura. Debaixo do céu de inverno de um azul celestial gritante, tinge o ipê as nossas vistas e as calçadas com seus raios emprestados do sol. Aos ipês devoto a nossa condição de princesas e rainhas do sertão. Porque em agosto a magia da transformação nos retira do casulo amarronzado como as crisálidas que se dão o direito de brilhar também. E vamos, nas manhãs de agosto, pisando nos raios solares em forma de flores pelo chão, como deusas. Vejam só: nós, mulheres simples do sertão mineiro.
Contemplar um ipê no auge de sua floração é como se tivesse à vista humana sido dada a permissão de contemplar o astro-rei na sua glória. Porém, sem sofrimento algum, sem termos que enlouquecer como Van Gogh em seus surtos de amarelo. O cerrado, retorcido e brusco, amolece e nos abraça, com pingos de sol disfarçados em ipês florindo aqui e ali, em meio ao cinzel e à mata verde-oliva. E assim, para nós, do cerrado mineiro aqui fincado sob o sol escaldante, a Primavera tem a sua majestade antecipada, como se, agradecida por ainda lhe permitirmos a visita, quisesse partilhar conosco um de seus grandes tesouros."
Lidiana Braziolli
"Sou do cerrado. Do sertão mineiro que inspirou Guimarães Rosa. Tanto que foi na cidade em que cresci - Corinto - e na em que nasci e vivi por 15 anos - Curvelo, que foram gravadas as principais cenas da minisérie global "Grande Sertão: Veredas", retirada da obra-prima desse mestre das letras. Assim como tenho orgulho disso, tenho também um prazer enorme em contemplar os ipês amarelos que florecem entre agosto e setembro. Como o mandacaru, que "fluora na cerca" anunciando que a chuva chega no sertão (ai que linda poesia de Gonzagão e Zé Dantas!), aqui nessas bandas o ipê florece garboso no meio do cerrado, nas praças e ruas, berrando com suas flores de amarelo-gema: "sorriam, a Primavera está chegando, minha gente!". E aí não tem quem não se alegre, que não tire do rosto nem que seja uma lasca de riso, que não desfrise o cenho, que não tire o risco da testa ao colorir os olhos com tamanha formosura. Debaixo do céu de inverno de um azul celestial gritante, tinge o ipê as nossas vistas e as calçadas com seus raios emprestados do sol. Aos ipês devoto a nossa condição de princesas e rainhas do sertão. Porque em agosto a magia da transformação nos retira do casulo amarronzado como as crisálidas que se dão o direito de brilhar também. E vamos, nas manhãs de agosto, pisando nos raios solares em forma de flores pelo chão, como deusas. Vejam só: nós, mulheres simples do sertão mineiro.
Contemplar um ipê no auge de sua floração é como se tivesse à vista humana sido dada a permissão de contemplar o astro-rei na sua glória. Porém, sem sofrimento algum, sem termos que enlouquecer como Van Gogh em seus surtos de amarelo. O cerrado, retorcido e brusco, amolece e nos abraça, com pingos de sol disfarçados em ipês florindo aqui e ali, em meio ao cinzel e à mata verde-oliva. E assim, para nós, do cerrado mineiro aqui fincado sob o sol escaldante, a Primavera tem a sua majestade antecipada, como se, agradecida por ainda lhe permitirmos a visita, quisesse partilhar conosco um de seus grandes tesouros."
Lidiana Braziolli
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sábado, 27 de agosto de 2011
Lâmpada mágica
Noite de sexta, chego do trampo cansadinha, mas feliz por mais um fim de semana e um dia cumprido com louvor. Daí penso: jantar, novela, cama. Só que ainda havia uma surpresa na minha janela. Flores de maio me aguardavam com todo o seu colorido. E como se não bastasse, o hipermega criativo menino do dedo verde a quem chamo de irmão, me chega com uma de suas invenções. Lâmpadas servem para iluminar ambientes e é por isso que são símbolos de grandes ideias, não é? Então. Meu mano me mostrou que há várias maneiras de dar à luz uma ideia. E ela está aí, agora pendurada na minha janela, fazendo par com as flores de maio, dendobriuns e vasinhos de arruda, melissa e majericão. Galhinho de árvore partido (ainda não sei o nome da espécie, mas isso é o que menos importa) agora criou raízes dentro da ex-lâmpada queimada sem destino. O menino do dedo verde disse que ao colocá-la ali, fez um pedido. Portanto, eu tenho direito a mais dois e os divido com vocês:
1 - Que todos nós aprendamos com a mãe natureza que a vida é mais forte que tudo.
2 - Que todos, independente de credo, raça, posição social ou nacionalidade, possamos trabalhar pelo bem daqueles que vivem ao nosso lado, não importando se é uma planta, um animal, uma pessoa, um lugar. Porque é preciso pensar globalmente, mas agir localmente. Que essa ideia crie raízes em nós.
E aí? Isso não lhe deu alguma ideia?
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terça-feira, 26 de julho de 2011
Não resisti

To passando só pra dizer que essa ideia não tem preço. Une tudo: reciclagem, beleza, bom gosto, faça-vc-mesmo, criatividade, chita (que a-do-ro), brasilidade, reaproveitamento de materiais disponíveis na natureza, além de trazer a natureza pra dentro de casa. É um post chiquérrimo do Casa, Coisas e Tal. Não resiti: postei! Vão lá e confiram, ta?
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quinta-feira, 14 de julho de 2011
A sustentável leveza da casa...
Então. Vi isso no blog Arquitetando na Net e não resisti. Postei. Linda a ideia de fazer uma casa de palha e terra. Lembrei-me do tempo da minha avó, meu tempo de criança, em que brincava na casa da adobe lá em Curvelo, interiorzão mineiro. A casa tem mais de cem anos e ainda ta lá, firme e forte, com meu pai dentro, setentão enxutaço.
Casa boa de morar é casa leve, com alegria e cores que nos tragam paz e vontade de ficar dentro. Se for feita de adobe, melhor ainda. Meu avô, o velho Braziolli, construiu muita casa assim. Frescas no verão, aconchegantes no inverno. Bem apropriadas ao nosso clima e totalmente apropriadas ao nosso tempo. Mais ecológicas, impossível. Quer dizer... com um bom aquecimento a serpentina para as águas do chuveiro ou um sistema de aquecimento solar... só morando.
Então ta. Fica aí a dica de quem não entende patavina de arquitetura ou construção. Mas sabe muito bem o que é morar bem e de bem com a natureza. Bj.
domingo, 12 de setembro de 2010
Do bicho-pau
Os amigos desse meu pedacinho que me perdoem, mas estou naquela fase em que os ursos ficam. Me sinto uma ursa em estado de hibernação. Não tenho vontade de nada, a não ser de ficar comigo mesma, pensando, pensando, escondida num lugar em que somente meus sonhos e pensamentos podem chegar. Penso em como seria não enxergar, não andar, não poder se mover, estar diante de um obstáculo até certo ponto intransponível.
Fico pensando em como seria não poder sentir as próprias pernas, ou enxergar por onde vão os próprios pés. E de como seria lidar com isso pelo resto da vida. Talvez não seja tão fácil, mas talvez não seja tão difícil. É mais ou menos assim que me sinto ultimamente, como se estivesse paralisada - imóvel e impotente diante de uma força maior que eu - e ao mesmo tempo cega, diante de algo que me atrai feito a luz da lâmpada atrai uma mariposa. Talvez me queime. Talvez me machuque. Mas certamente vou sair mais forte disso tudo. O que não posso, não quero e não devo fazer, é fingir que nada está acontecendo. Que essa dor não me atinge. Ou que isso deve ficar repousando por mais vinte ou trinta anos, "no pano de guardar confetes".
Meu avô Zé Braziolli dizia que todo mundo tinha seu lado bicho e que todo bicho tinha uma parte da vida em que precisava recuar diante de situações que lhe fugiam ao controle, ou que exigiam ficar paradinhos, inertes, completamente imóveis, a fim de salvar a própria pele, ou simplesmente para em seguida tomar a decisão correta. É um ato de coragem e ao mesmo tempo de autoconhecimento. Meu av dizia que o bicho-pau, que a gente vivia encontrando no meio das plantas do jardim, adorava se fingir de morto, pra depois ficar "rindo da nossa cara".
Pois esse é meu momento bicho-pau. Quero ficar assim, até poder rir da cara do destino.
Foto: http://www.scb.org.br/inspiracao/naturezaviva/2k20310.asp
Fico pensando em como seria não poder sentir as próprias pernas, ou enxergar por onde vão os próprios pés. E de como seria lidar com isso pelo resto da vida. Talvez não seja tão fácil, mas talvez não seja tão difícil. É mais ou menos assim que me sinto ultimamente, como se estivesse paralisada - imóvel e impotente diante de uma força maior que eu - e ao mesmo tempo cega, diante de algo que me atrai feito a luz da lâmpada atrai uma mariposa. Talvez me queime. Talvez me machuque. Mas certamente vou sair mais forte disso tudo. O que não posso, não quero e não devo fazer, é fingir que nada está acontecendo. Que essa dor não me atinge. Ou que isso deve ficar repousando por mais vinte ou trinta anos, "no pano de guardar confetes".
Meu avô Zé Braziolli dizia que todo mundo tinha seu lado bicho e que todo bicho tinha uma parte da vida em que precisava recuar diante de situações que lhe fugiam ao controle, ou que exigiam ficar paradinhos, inertes, completamente imóveis, a fim de salvar a própria pele, ou simplesmente para em seguida tomar a decisão correta. É um ato de coragem e ao mesmo tempo de autoconhecimento. Meu av dizia que o bicho-pau, que a gente vivia encontrando no meio das plantas do jardim, adorava se fingir de morto, pra depois ficar "rindo da nossa cara".
Pois esse é meu momento bicho-pau. Quero ficar assim, até poder rir da cara do destino.
Foto: http://www.scb.org.br/inspiracao/naturezaviva/2k20310.asp
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