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terça-feira, 19 de julho de 2011

Tô enrolada!


Viram aí? Culpa da Kika Reichert, cujo blog eu sigo de pé junto. Como não se deixar enrolar nessas cores e no calor desses carreteis de madeira? Daqui a pouco viro gata e saio puxando um a um esses fios... Miau...

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Coragem, aonde você andava?

Já falei aqui sobre o que o medo pode fazer às pessoas. Digo e repito que o medo deve ser um motor e não um freio. Me lembrei disso ontem.
Uma amiga foi fazer a primeira tatuagem de sua vida após 20 anos de longa espera por... coragem!  E agora ela sabe que não era assim tão bicho-papão esse  negócio de pintar a pele. A partir daí passou a fazer coisas que há muito tempo vinha precisando e desejando muito fazer, e que havia protelado ou deixado de lado porque o medo a impedia - medo de errar, de arriscar, de ser rejeitada de novo, de levar um não como resposta, de que as pessoas não a achassem boa o suficiente para que fizesse parte da vida delas. Medo de quase tudo, disfarçado de boa-vontade, camuflado entre vários "sim" ditos de sorriso no rosto, como se tivesse tomando um sorvete, quando na verdade estava provando remédios amargos.
Minha amiga me deu muito orgulho, porque hoje posso dizer que ela (não por caua da tatuagem, mas pelo que ela significou nesse momento), é uma mulher que resolveu tornar-se protagonista da própria vida (como disse um personagem do filme "O amor não tira férias" - assistam!). Minha amiga, claro, tinha  absoluta certeza do que estava sendo marcado para sempre no próprio corpo, e, a cada movimento do tatuador, essa certeza ia aumentando e uma emoção grande tomando conta de sua alma, como se ali, junto com a tinta, estivesse sendo pintada a verdadeira mulher por detrás daquele corpo.
A coragem da minha amiga que, alías, ficou absolutamente feliz com o resultado e com a sua atitude depois de tanto tempo esperando por esse momento, é um marco e fica aqui registrado, como minha homenagem a ela e inspiração para outras. Não para que saiam fazendo tatoos por aí - que isso é coisa muito pessoal - mas para que ajam de forma a não se arrependerem do que não fizeram. Creiam: isso é muito pior do que se arrepender do que se fez.
Foto e tatuagem: Leo Lobinho/Pietá Studio de Tatuagem/Belo Horizonte (MG)

domingo, 12 de setembro de 2010

Do bicho-pau

Os amigos desse meu pedacinho que me perdoem, mas estou naquela fase em que os ursos ficam. Me sinto uma ursa em estado de hibernação. Não tenho vontade de nada, a não ser de ficar comigo mesma, pensando, pensando, escondida num lugar em que somente meus sonhos e pensamentos podem chegar. Penso em como seria não enxergar, não andar, não poder se mover, estar diante de um obstáculo até certo ponto intransponível.
Fico pensando em como seria não poder sentir as próprias pernas, ou enxergar por onde vão os próprios pés. E de como seria lidar com isso pelo resto da vida. Talvez não seja tão fácil, mas talvez não seja tão difícil. É mais ou menos assim que me sinto ultimamente, como se estivesse paralisada - imóvel e impotente diante de uma força maior que eu - e ao mesmo tempo cega, diante de algo que me atrai feito a luz da lâmpada atrai uma mariposa. Talvez me queime. Talvez me machuque. Mas certamente vou sair mais forte disso tudo. O que não posso, não quero e não devo fazer, é fingir que nada está acontecendo. Que essa dor não me atinge. Ou que isso deve ficar repousando por mais vinte ou trinta anos, "no pano de guardar confetes".
Meu avô Zé Braziolli dizia que todo mundo tinha seu lado bicho e que todo bicho tinha uma parte da vida em que precisava recuar diante de situações que lhe fugiam ao controle, ou que exigiam ficar paradinhos, inertes, completamente imóveis, a fim de salvar a própria pele, ou simplesmente para em seguida tomar a decisão correta. É um ato de coragem e ao mesmo tempo de autoconhecimento. Meu av dizia que o bicho-pau, que a gente vivia encontrando no meio das plantas do jardim, adorava se fingir de morto, pra depois ficar "rindo da nossa cara".
Pois esse é meu momento bicho-pau. Quero ficar assim, até poder rir da cara do destino.
Foto: http://www.scb.org.br/inspiracao/naturezaviva/2k20310.asp

quinta-feira, 29 de julho de 2010

A pior das tempestades*

Algumas vezes caminhamos, curvados e trôpegos, enfrentando tempestades que a vida nos traz. E a primeira pergunta quase sempre é: de quem é a culpa?
A busca por um culpado pode nos tomar muito tempo. Ao invés de se buscar uma solução, buscamos o erro. Nesse caso, o erro do outro.
A sensação de fracasso diante de uma falta, de uma falha, de uma pedra em que se tropeçou, não é boa, reconheçamos. Não mintamos dizendo que esse peso não nos dói nas costas, que o vento não nos incomoda ou nos arrasta. Sim, isso é fato. E devemos encará-lo. Mas é possível que nem sempre sejamos firmes o bastante para agirmos de forma correta.
Ao recebermos o impacto da tormenta, não devemos nos deixar enfraquecer, pois as tormentas fazem parte do nosso dia-a-dia. Do processo da evolução do espírito e da mente humanas. Em alguns momentos será preciso envergar (aquela velha história do bambu...) para não quebrar. Isso não é um retrocesso. É um ato de sabedoria, ou na pior das hipóteses, uma estratégia de sobrevivência, muito mais benéfica que a revolta, o ressentimento ou o sentimento de fracasso e tristeza.
Após a passagem da tempestade, o sol volta a brilhar, a paz volta a reinar e percebemos que os estragos não foram tão grandes assim. E a gente está lá. Com as raízes no lugar. E mais fortes.
Então, ao sermos envolvidos pelas tempestades da vida, não nos deixemos arrancar de nossa fé, de nossa conduta moral correta, do caminho certo que começa a ser, lentamente, percorrido. Não se deve, por antecipação, deixar sentimentos inferiores tomarem conta do coração, porque eles são como ervas daninhas.
Devemos aguardar que a tempestade desabe, mesmo que ela o faça com toda a sua fúria.
Calma e confiantemente, aguardemos a bonança. Ela virá, com certeza.
A vida também é feita de pequenos ou grandes percalços, depende do prisma pelo qual olhamos.
A pior tempestade que pode desabar sobre nossas vidas é a da falta de fé, porque ela gera outras pequenas tormentas que se tornam grandes: o desânimo e a da falta de confiança em nós mesmos ou nos que amamos. Se estivermos firmes em nossa fé - e agirmos de boa fé - todas as outras tempestades nos parecerão pequenas ou, pelo menos, superáveis. E mais: serão momentos de construção e não de destruição.
Confiança, coragem e fé: sinônimos de grandeza de alma.
*Este texto foi adaptado de um outro, de mesmo título, enviado pelo Padre Marcelo Rossi, através de seu site www.padremarcelorossi.com.br