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terça-feira, 27 de agosto de 2013

A MEDIDA, A COR E A CARA DA FELICIDADE

Lili tem certeza de que a Felicidade é amarela. E a certeza aumentou com esta imagem. Esta é pra você que está láaaaa do outro lado das Américas, mais precisamente em Chicago (EUA), onde a exposição  “The Happy Show”, feita pelo designer gráfico Stefan Sagmeister, está causando.
O artista põe a gente pra pensar sobre o que é essa tal de F-E-L-I-C-I-D-A-D-E e sobre o quanto somos felizes. Mas você, que como eu está por bandas tupiniquins também pode ver um pouco do que há por lá (uma das vantagens desse mundo globalizado, iupi!!!) acessando o zupi.com.br. A foto aí é deles e já dá por a gente pra pensar um tiquim, né não?
Uma das instalações da “The Happy Show”, fdo designer gráfico Stefan Sagmeister (foto: www.zupi.com.br)

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Essa tal Felicidade


É preciso ter calma quando a tempestade está chegando. Mas é preciso ser tempestade quando a calma significar a morte da alegria.

Ela estava envolta em pensamentos quando o raio iluminou o quarto. No centro da sala um vulto lhe chamou a atenção. No escuro, tateou um apoio. Pôs os pés sobre os cacos de vidro e, ainda assim, não se cortou. A casa, antigo recanto de muitas lembranças, não lhe punha medo na alma. Era janeiro. Estava quente. A brisa rapidamente transformou-se em uma grande armada no céu, com seus cavaleiros galopando as nuvens.
Naquele ano não haveria porque temer o desconhecido. Tudo era previsível. Tudo estava pronto e certo. As surpresas não eram o seu forte. Mas o imprevisível é a arte dos deuses, aquela que nenhum mortal detém. Assim como aquela tempestade cor de chumbo, vários de seus sonhos e projetos foram desabando - um a um - como se nada pudesse ser feito para deter o Destino - esse deus implacável, primo-irmão do Tempo e, no seu caso, muito amigo da Solidão.
Lídia tinha vinte e poucos anos quando descobriu que não seria feliz tão cedo. Depois da decepção com um primo que lhe jurara amor eterno e sumira no mundo pra nunca mais, passara de braços em braços  tentando encontrar de novo a tal Felicidade. Na busca, jurava ter encontrado um outro amor, daqueles de que falam os livros de Jorge Amado, com sexo e poesias ardentes. Convenceu-se então de que ali residia o melhor dos mundos. Mas o casamento, numa sexta de carnaval ensolarada, não lhe fizera tão bem quanto pensara. Teve por testemunhas apenas a sogra e uma tia, que se revezavam na tarefa de babá da filha de um ano. Além delas, apenas as marchinhas carnavalescas, os bêbados travestidos em seus bois e o som das marchinhas. Não era santa, mas também não tinha grandes pecados, por isso, sinceramente - sonhou - merecia e haveria de ser feliz. Contou pelo menos três ou quatro amantes do já desencantado marido antes de se convencer de que não havia feito boa coisa naquele cartório. E, pelo andar da carruagem e muitas noites sem dormir, não havia de ter feito boa coisa nas outras vidas que acaso tivesse vivido. Conformou-se de pagar seu quinhão. Aceitou-se escrava do Destino, à espera de que um dia o Tempo se compadecesse e lhe trouxesse a Felicidade.
Claro que não deu certo esse negócio de conformar-se. Lídia perdeu o bonde da própria vida, colocando sua identidade nas mãos de um desconhecido com o qual dormia pensando ser o marido. O estranho foi revelando-se aos poucos, com um grunhido aqui, um abandono ali, qualquer coisa sutil que lhe magoasse. E, finalmente, os tapas e agressões públicas lhe revelaram totalmente a face. Quem era aquele cara com quem trocara alianças ao som de Máscara Negra e Estrela Dalva? Demorou a descobrir que na verdade esteve vivendo um baile a fantasia, um grotesco baile de máscaras durante boa parte da sua juventude. Dois filhos e muitas humilhações depois daquele fevereiro, ela  recebeu do Destino um presente: a Liberdade finalmente a visitou.
As promessas da visitante ilustre a encantaram e ao mesmo tempo lhe meteram medo. Tudo era novo e desconhecido naquele mundo onde se podia ir e vir sem receio. Sentiu-se poderosa e frágil.
Nem bem se acostumara com os louros da nova vida, uma companheira se apresentou para que aprendesse outras lições.  A Solidão era mansa, mas tão pesada e triste quanto uma vida sem música ou bolos de aniversário. Chegar em casa não era ruim, mas a cama tinha a imensidão do mar e as noites o tamanho do espaço sideral, com todas as suas galaxias. Seu coração, acostumado a estar ocupado e dedicado a alguém, fosse quem fosse, desde a mais tenra idade, pulsava por um afago, um afeto que fosse. Foi quando, num mar de palavras e teclas de computador, o Amor chegou.
Não se apresentou de fato. Travestira-se de Amizade. Ficou por anos e anos assim, cândido e simples, como só as amizades sinceras o podem ser. A cada confidência, a cada dia de trabalho, a cada problema vencido, um laço mais forte foi se firmando. Irmãos? Claro. Para sempre. Isso ela pensava. E ele, pensava ela, também. Até que o Destino os colocou, sem qualquer máscara e desvestidos de qualquer ilusão, um frente ao outro, numa noite de setembro. Foi um susto. Não podia ser, não era pra ser. Mas foi. Não foi o tempo todo  de sons de violinos e pássaros cantando, nem havia um sapato de cristal na escadaria e um príncipe a se debruçar sobre o cavalo branco. Mas as horas passavam simples e as palavras tinham sabor de almoço em família e beijos roubados. Trabalho pesado, filhos na escola, casa com empregada, filmes com pipoca, cheiro de café fresco, burburinho pela casa, contas a pagar, domingos no sítio, soneca no sofá, pés entrelaçados na cama, briguinhas bobas e conchinha na hora de dormir.
Lídia estava sentada no chão da sala, à espera do próximo gole de vinho que automaticamente sua mão trêmula lhe servia. A Solidão, de novo, lhe olhava de frente sorrindo. O que havia acontecido entre aquele beijo quente de setembro e o frio telefonema de ontem? Em que ponto daquela história os caminhos se desencontraram? Como a taça que espatifou-se no mármore frio da sala, alguma coisa havia se quebrado dentro dela. A cama, novamente imensa, era uma ameaça ao juízo e um convite ao pranto. Lhe restaram as festas e rostos estranhos nas noites vazias. Não. Já não havia mais tempo nem espírito para carnavais juvenis ou fantasias tolas. A Felicidade definitivamente lhe pregara uma peça, tornando-a um peão no tabuleiro da Vida, onde o Destino controlava tudo. Fazer-se forte era a única saída. Mas, antes, precisava desabar como uma tempestade. Olhar de novo para o horizonte da própria história e não enxergar ninguém ao seu lado era estranho e dolorido. As lágrimas se misturaram mais uma vez ao doce-amargo do vinho. Naquele momento, com as lanças cor de prata a perfurar as cortinas e clarear seu semblante na sala vazia, chorar era o único  gesto sem esforço.
Definitivamente, olhar para trás era doloroso. Entender as próprias escolhas era quase uma tentativa de perdoar-se. Deixou que as lágrimas escorressem pelo rosto como as gotas da chuva na vidraça. E pediu ao Destino que lhe poupasse de mais um engodo. Trancaria o coração. Estava finalmente decidida a buscar a Felicidade apenas dentro de si mesma.


sexta-feira, 8 de julho de 2011

Não resisti

A gente pensa que é forte. E na maioria das vezes é mesmo. Mas de quando em vez,  vem de lá um ventim e pronto: olha nós no  chão outra vez. Como de tudo se tira proveito - e nisso reside, eu acho, a grande sabedoria dessa vida - façamos dessa ventania nossa aliada. Nada que uma boa "sombrinha" ou guarda-chuva não resolva e que um vestidinho florido não alegre. Calcemos todas as nossas botas e tratemos de dar um bom pontapé nas tristezas. Xô ranzinzas, que eu tô passando!
Pois então me vem a inspiração do blog da Rebeka que eu tive de postar ou meu dia não seria completo.


Santa Mary Poppins! Se eu me casasse de novo um dia, seria no campo e essas seriam minhas "damas". BOM FIM DE SEMANA PRA TODOS! Ah! Quase ia me esquecendo da trilha sonora. Tem de ser Matt Costa. Pra festa do casório: Sweet Rose. E pra viagem de lua de mel, Songs We Sings que está logo aí embaixo.

quarta-feira, 30 de março de 2011

It's beautiful day

No início deste ano eu estabeleci prioridades, que anotei no meu Caderno de Receitas para Ser Feliz. Algumas delas eu contei aqui no post Minha Lista de Desejos para 2011 , outras estão ainda lá, top secret. Confesar desejos não é coisa que se faça com qualquer um, principalmente porque dependendo do desejo a gente pode pagar o maior micão, como diz meu Serginho. Aos 14, bigodinhos nascendo e voz mudando, ele me faz refletir sobre mim mesma, mais do que todos os sermões e palestras de auto-ajuda que já ouvi. E foi dele que ouvi, no início de 2011, as piores verdades.
Ele me falou que eu vivia mentindo pra mim mesma. Que não era capaz de apostar nos meus sonhos e que vivia dizendo a ele o que fazer com os dele. Disse que eu não tinha coragem de assumir as coisas de que realmente gosto com a desculpa de que estava lhes poupando (a ele e às irmãs) de algum sacrifício e que isso fazia com que ele se sentisse culpado sempre que eu desistia de fazer alguma coisa ou fingia não querer algo. Me jogou, assim, na cara, o fato de ter feito algumas más escolhas e de ficar me culpando ou a outras pessoas por isso o resto da vida, sem fazer algo que realmente mude a situação. Daí ele emendou pra parte da exemplificação. Sabe como são os adolescentes, são muito práticos e rápidos no gatilho. Enquanto ele derramava o leite, eu via a minha vaquinha indo para o brejo (sabe aquela história da vaquinha que um monge empurrou ladeira abaixo pra que uma família de roceiros mudasse de atitude? Então. Foi mais ou menos assim).
Tomei uma garrafa de vinho depois dessa conversa, ao som do U2, banda que amo desde que tinha vinte e poucos anos. E foi ao som de Beautiful Day que peguei  na carteira uma amassada lista amarela, a minha velha Lista de Botas (aquela que o Morgan Freeman e o Jack Nicholson fizeram no filme Antes de Partir). Busquei  um caderno e botei o título: Caderno de Receitas para Ser Feliz.  Decidi passar a minha listinha secreta a limpo e transformá-las em algo que pudesse sair do papel. E o primeiro ítem foi justamente ir a um show deles, a banda do Bono.
Não digam que isso é filosofia  à la Rhonda Byrne, porque não é. Eu já sabia àquelas alturas do mês de janeiro que eles viriam ao Brasil. Mas sabe quando você boicota os próprios sonhos e passa a fazer de conta que eles não existem, se sentindo ridícula por pensar naquilo a certa altura da vida? Era assim que eu me sentia em relação a um dia ir a um estádio ver Bono e The Edge. Não me imaginava de verdade largando os três pimpolhos em casa e curtindo a noite com a banda que marcou uma época da minha vida e ainda continua me emocionando. Pois é. Fui pensando nisso e sorvendo o lambrusco gelado. Dou razão aos médicos que dizem que uma taça de vinho por dia faz muito bem ao coração. E digo que uma garrafa de vez em quando (sem apologia, por favor) faz bem à alma. À medida que o ritmo da música ia aumentando, aumentando, como frenéticas passadas de um treino de corrida, os meus sonhos foram pulando para o papel e minha decisão de realizá-los ficando mais forte. Fui dormir exausta de tanto imaginar como seria cada uma daquelas minhas pequenas e grandes loucuras. Mas hoje estou aí. Correndo, mudando minha vida. Planejando os detalhes de uma viagem. Estudando duas outras línguas. Dançando. Escrevendo. Fazendo as coisas acontecerem. E vou ao show do U2. Sozinha. Quer dizer... vão uns amigos...
E como eu digo: filho dá trabalho, mas é a melhor coisa do mundo quando a gente sabe ouvir e se deixa amar.

"It's a beautiful day/ Don't let it get away/ It's a beautiful day
Touch me,Take me to that other place/Teach meI, know I'm not a hopeless case"

(Beautiful Day - Adam Clayton / Bono Vox / Larry Mullen Jr. / The Edge)

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Felicidade de pés descalços

Hoje estou feliz que nem criança quando ganha um doce, como menino que consegue apanhar aquela fruta que estava lá no galho mais alto, como uma menina que fica sentada no muro comendo um pedaço de bolo que acabou sair do forno, balançando os pés como se nada no mundo mais importasse. É aquela felicidade que ainda não é "a" felicidade, mas que já é um começo, uma luzinha brilhando como quando a gente ta andando no meio do mato e acha uma fruta no chão e aí fica alegre, mas logo pensa na árvore cheia de frutos iguaizinhos e frescos. Os olhos brilham. Pois é. Enquanto a gente não acha a árvore, vai ficando alegrinho, alegrinho, só imaginando o resto. E essa é a minha sensação agora.
Estou curtindo esse momento. E rezando para que eu chegue logo ao pé da árvore.
Você, aí, do outro lado, já se sentiu assim? Em que momentos da sua vida te deu esse comichão de criança de pé no chão caçando fruto no meio do mato? Ou que subiu no muro pra roubar a fruta do vizinho? Já sentiu esse gostinho? Pois então sabe bem do que estou falando.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Das coisas que não vivi

Hoje estou triste. E a culpa é das coisas que não vivi. Dos beijos que não dei. Dos abraços que não ganhei. Das noites e dias não divididos. Boa parte da vida que estou vivendo passo a pensar sobre essas saudades e de como teria sido se eu tivesse escolhido fazer diferente. Outra parte significativa do meu tempo é dedicada a viver pelos que estão presentes na minha vida hoje e que são muito importantes pra mim. Mas nenhum deles sou eu. Tenho a impressão de ser egoísta quando penso apenas em mim, na minha felicidade, em viver pelo menos por um dia emoções que me façam sair do chão. Será que eu mereço ou não viver esse momento, esse dia especial. Fico pensando como seria desafiar a ordem das coisas. Como seria não ser tão certinha, tão correta, tão ética. É tentador pensar na felicidade completa. É tentadora como canto de sereia essa felicidade que me chama nos sonhos, na imaginação...
Há momentos - e este agora é um deles - em que tenho vontade de largar tudo, tudo mesmo, e sair. Simplesmente sair, com uma mala nas mãos e uma passagem para algum lugar do passado onde fui muito feliz. Onde as coisas eram simples. Onde não existia perigo de infelicidade ou infidelidade.
É muito difícil não pensar em como teria sido se as decisões tomadas por nós tivessem sido diferentes. Conviver com essa dor, disfarçá-la por tanto tempo, mascará-la a ponto de pensar que ela não mais existisse, isso tenho feito, sim, mas nem sempre é possível. Especialmente nesse mês de setembro, quando se aproxima o meu aniversário.  O número 19 tem um significado especial pra mim, mas não é exatamente por ser a data em que eu nasci, mas por representar uma feliz coincidência e por me trazer uma esperança - tênue, curta, quase mórbida - de que um dia, num aniversário, eu receba o presente que espero há tanto tempo.
O mês de setembro é o mês dos ipês amarelos. Essa árvore forte do cerrado mineiro que faz parte da minha vida e que se parece muito comigo também. Hoje, vindo de Curvelo pra BH, vi muitos deles em meio à cinza e ao pretume deixado pelo fogo. Alguns estavam queimados quase completamente, mas na copa, lá no alto, uma ou duas flores resistiam amarelando de longe a paisagem, brilhando no sol causticante da manhã de setembro. Kilômetro a kilômetro, lá estava ele, o ipê, florindo depois de ser incendiado.  Como se rindo daquilo tudo. Rindo da própria sina, do sofrimento inevitável. E ao mesmo tempo como um sinal de que a chuva vai chegar. Por várias vezes me sinto como eles, os ipês amarelos. Se pudesse, tinha um debaixo da janela. E você, que árvore gostaria de ter debaixo da sua janela?
foto: area3.updateordie.com