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quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Felicidade de pés descalços

Hoje estou feliz que nem criança quando ganha um doce, como menino que consegue apanhar aquela fruta que estava lá no galho mais alto, como uma menina que fica sentada no muro comendo um pedaço de bolo que acabou sair do forno, balançando os pés como se nada no mundo mais importasse. É aquela felicidade que ainda não é "a" felicidade, mas que já é um começo, uma luzinha brilhando como quando a gente ta andando no meio do mato e acha uma fruta no chão e aí fica alegre, mas logo pensa na árvore cheia de frutos iguaizinhos e frescos. Os olhos brilham. Pois é. Enquanto a gente não acha a árvore, vai ficando alegrinho, alegrinho, só imaginando o resto. E essa é a minha sensação agora.
Estou curtindo esse momento. E rezando para que eu chegue logo ao pé da árvore.
Você, aí, do outro lado, já se sentiu assim? Em que momentos da sua vida te deu esse comichão de criança de pé no chão caçando fruto no meio do mato? Ou que subiu no muro pra roubar a fruta do vizinho? Já sentiu esse gostinho? Pois então sabe bem do que estou falando.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

As meninas do pirulito

Estou com saudade do tempo em que tudo era mais simples. A gente saía de casa pra trabalhar e não precisava se preocupar em trancar a porta. Estou cansada das pencas de chave que carrego todos os dias. O tilintar delas na minha bolsa me lembra o tempo todo como estamos inseguros.
Quando saio pela manhã, rezo e penso no quanto me faziam rir as meninas aí da foto. Uma delas é minha filha, então com 14 aninhos. Isso no rosto não é tinta. É um creme da mãe de uma delas, afanado displicentemente para compor a máscara de beleza, que acabou virando brincadeira de molecas num sábado tranquilo de interior. Se intitulavam "As meninas do pirulito". Trio inseparável que me povoava a casa e sempre tinha alguma aprontação. Se tinham de dormir uma na casa da outra, era só ligar pra mãe ou pai de uma delas e pronto, estava tudo resolvido. Ninguém se preocupando com pedofilia ou anomalias desse mundo cada dia mais cruel, apesar de bonito.
As minhas meninas cresceram e me fazem muita falta. Como faz falta a simplicidade de chegar em casa sem precisar abrir dois portões e duas portas antes de chegar e ganhar um abraço dos filhotes e uma lambida da Morena. Alguém aí concorda comigo? Abracejos!