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quarta-feira, 17 de agosto de 2011

A chave

Perguntinha básica: o que fazer com uma porta velha  de armário de banheiro e um monte de cacarecos? Bati cabeça em torno da questão, principalmente porque minha mãe disse que a casa estava virando uma filial da ASMARE (Associação de Catadores de Material Reciclável aqui de BH). Desse modo o desafio se instalou: tenho de achar a chave que vai me libertar desse monte de pseudo-lixo. Sim, porque a gente tem mania de ver lixo em tudo que não usa mais. Pensa daqui e dali, enfim achei a chave para o dilema. Não sei exatamente em que site eu vi a ideia  proque a gravura estava guardada no meu baú de recortes e coisas-que-eu-vou-fazer-um-dia faz é tempo! (Please, quem souber me diga pra eu postar os devidos créditos rapidinho, viu? ) Então taí. Não tem PAP detalhado, mas o antes e o depois explicadinho:

Era uma vez uma porta de armário que resolveu cair. Estava cansada, a coitada, de ser a mesma coisa sempre, ali, no abre-fecha debaixo da pia do banheiro. Daí, despencou de tédio - feito a gente numa quarta-feira dessas, pensando no monte de coisas que poderia estar fazendo em casa, não fosse o tal do trabalho (rsrsrs...). A porta, abandonada e triste ficou por algumas semanas, no lugar mais apropriado para portas entediadas: escondidas no escurinho debaixo da cama.
Era uma vez também quatro chaves sem porta, que também abandonadas e tristes, repousavam no fundo de gavetas-guarda-trecos, que encontraram ao acaso cinco argolas de variados tamanhos, algumas arruelas que se perderam pelo caminho, dois clipes, um grampo de cabelo que caiu no vão da pia do banheiro, uma estrelinha de metal que se desprendeu do paraíso que era aquele colar lindo, alguns badulaques sem nome e três gatos-pingados que miavam no silêncio da caixa de contas. Todos sem rumo e insatisfeitos por se sentirem inúteis e esquecidos, prontos para ir para o único fim certo a que todos - incuindo nossos lindos corpos humanos - estamos destinados: o lixo.
Mas eis que num fimdesemanaemendadocomferiado uma fada madrinha resolveu mexer no seu imenso caldeirão de ideias e zap! Não é que ela ajuntou todo mundo com  uma lata de tinta spray preta e daí nasceu a chave para todos os dilemas ali empilhados?

Numa folha de papel, um lápis também achou um lugarzinho especial. Lugares marcados, hora da transformação e do grande encontro. De roupa nova, no melhor estilo black tie, todo mundo foi achou enfim a chave para o sucesso! ... E viveram felizes para sempre...

Não sei por que essa foto quer ficar assim, deitadinha. Mistéeeeerios...


Ah! Observem como a porta está feliz, sorrindo de vida nova. Vai ganhar um lugar especial na minha parede, ao lado da porta de entrada do ap. Um belo salto pra quem estava caidinha, escondida debaixo da cama, né? E aí? Vai dizer que com a gente também não acontecem coisas assim...

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

As meninas do pirulito

Estou com saudade do tempo em que tudo era mais simples. A gente saía de casa pra trabalhar e não precisava se preocupar em trancar a porta. Estou cansada das pencas de chave que carrego todos os dias. O tilintar delas na minha bolsa me lembra o tempo todo como estamos inseguros.
Quando saio pela manhã, rezo e penso no quanto me faziam rir as meninas aí da foto. Uma delas é minha filha, então com 14 aninhos. Isso no rosto não é tinta. É um creme da mãe de uma delas, afanado displicentemente para compor a máscara de beleza, que acabou virando brincadeira de molecas num sábado tranquilo de interior. Se intitulavam "As meninas do pirulito". Trio inseparável que me povoava a casa e sempre tinha alguma aprontação. Se tinham de dormir uma na casa da outra, era só ligar pra mãe ou pai de uma delas e pronto, estava tudo resolvido. Ninguém se preocupando com pedofilia ou anomalias desse mundo cada dia mais cruel, apesar de bonito.
As minhas meninas cresceram e me fazem muita falta. Como faz falta a simplicidade de chegar em casa sem precisar abrir dois portões e duas portas antes de chegar e ganhar um abraço dos filhotes e uma lambida da Morena. Alguém aí concorda comigo? Abracejos!