Engraçado como as coisas mudam, né... A gente pensa que tudo é eterno quando ama. A gente pensa que nada dói e que o que dói é amor, quando na verdade, é o contrário.
Li no mural de uma amiga do Facebook ontem algo como "amor não dói, porque amor é alegria da alma". Fiquei pensando nisso ontem um tempão até os olhos fecharem lutando contra o sono. A gente luta contra a felicidade como luta contra o sono quando pensa que ficar acordado é que é o melhor. Pode ser, ou não... como dizia Caetano. Tudo tem seu momento. O que é bom hoje pode não ser amanhã. O que foi música ontem pode ser um ruído hoje. Tudo é relativo.
Demorei pra encarar de frente essa minha teoria particular da relatividade. Nem física, nem metafísica, não é ciência de tubo de ensaio, telescópio ou cálculos matemáticos, é a ciência da vida. Hoje sei que o Raul estava completamente certo quando proclamou que preferia ser "essa metamorfose ambulante". Ele já devia saber que nada nesse mundo é estático. Nem o espírito, nem o corpo, nem as coisas, muito menos as opiniões.
Tem gente que passa a vida fingindo que sabe tudo e que bate o martelo sobre suas convicções. Mentira! Lá dentro, escondido feito um caixa de bombons devorada, está a incerteza. Está lá, plantada como uma semente que ele cuida de tentar matar: a dúvida. Nada mais aterrorizante para um sabe-tudo do que a expressão: "será?".
Mas por que, meu Deus?! Porque somos assim incorrigíveis? Quero dizer: porque teimamos e teimamos em ser mais do que realmente somos? Não estou falando dessa coisa positiva de querer melhorar e de provar o quanto podemos evoluir. Não... estou falando justamente do contrário. Por que insistimos tanto em não querer ver o quão pequenos somos diante da grandeza do universo e de todas a coisas que estão fora do nosso alcance? Quando em verdade, em verdade, só nos resta o medo. O medo do que não conhecemos sobre tudo, inclusive sobre nós mesmos. Uma gripe diferente. Um mosquito. Um simples bacilo?
Vixe! Comecei falando de amor e terminei filosofando sobre a existência humana. Estão vendo como a gente não é dono de nada? É por isso que cada dia tenho mais certeza de que ser uma metamorfose ambulante deve ser mesmo a melhor coisa do mundo. Ou não...
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sexta-feira, 11 de março de 2011
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Das coisas que não vivi
Hoje estou triste. E a culpa é das coisas que não vivi. Dos beijos que não dei. Dos abraços que não ganhei. Das noites e dias não divididos. Boa parte da vida que estou vivendo passo a pensar sobre essas saudades e de como teria sido se eu tivesse escolhido fazer diferente. Outra parte significativa do meu tempo é dedicada a viver pelos que estão presentes na minha vida hoje e que são muito importantes pra mim. Mas nenhum deles sou eu. Tenho a impressão de ser egoísta quando penso apenas em mim, na minha felicidade, em viver pelo menos por um dia emoções que me façam sair do chão. Será que eu mereço ou não viver esse momento, esse dia especial. Fico pensando como seria desafiar a ordem das coisas. Como seria não ser tão certinha, tão correta, tão ética. É tentador pensar na felicidade completa. É tentadora como canto de sereia essa felicidade que me chama nos sonhos, na imaginação...Há momentos - e este agora é um deles - em que tenho vontade de largar tudo, tudo mesmo, e sair. Simplesmente sair, com uma mala nas mãos e uma passagem para algum lugar do passado onde fui muito feliz. Onde as coisas eram simples. Onde não existia perigo de infelicidade ou infidelidade.
É muito difícil não pensar em como teria sido se as decisões tomadas por nós tivessem sido diferentes. Conviver com essa dor, disfarçá-la por tanto tempo, mascará-la a ponto de pensar que ela não mais existisse, isso tenho feito, sim, mas nem sempre é possível. Especialmente nesse mês de setembro, quando se aproxima o meu aniversário. O número 19 tem um significado especial pra mim, mas não é exatamente por ser a data em que eu nasci, mas por representar uma feliz coincidência e por me trazer uma esperança - tênue, curta, quase mórbida - de que um dia, num aniversário, eu receba o presente que espero há tanto tempo.
O mês de setembro é o mês dos ipês amarelos. Essa árvore forte do cerrado mineiro que faz parte da minha vida e que se parece muito comigo também. Hoje, vindo de Curvelo pra BH, vi muitos deles em meio à cinza e ao pretume deixado pelo fogo. Alguns estavam queimados quase completamente, mas na copa, lá no alto, uma ou duas flores resistiam amarelando de longe a paisagem, brilhando no sol causticante da manhã de setembro. Kilômetro a kilômetro, lá estava ele, o ipê, florindo depois de ser incendiado. Como se rindo daquilo tudo. Rindo da própria sina, do sofrimento inevitável. E ao mesmo tempo como um sinal de que a chuva vai chegar. Por várias vezes me sinto como eles, os ipês amarelos. Se pudesse, tinha um debaixo da janela. E você, que árvore gostaria de ter debaixo da sua janela?foto: area3.updateordie.com
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