terça-feira, 27 de agosto de 2013

A MEDIDA, A COR E A CARA DA FELICIDADE

Lili tem certeza de que a Felicidade é amarela. E a certeza aumentou com esta imagem. Esta é pra você que está láaaaa do outro lado das Américas, mais precisamente em Chicago (EUA), onde a exposição  “The Happy Show”, feita pelo designer gráfico Stefan Sagmeister, está causando.
O artista põe a gente pra pensar sobre o que é essa tal de F-E-L-I-C-I-D-A-D-E e sobre o quanto somos felizes. Mas você, que como eu está por bandas tupiniquins também pode ver um pouco do que há por lá (uma das vantagens desse mundo globalizado, iupi!!!) acessando o zupi.com.br. A foto aí é deles e já dá por a gente pra pensar um tiquim, né não?
Uma das instalações da “The Happy Show”, fdo designer gráfico Stefan Sagmeister (foto: www.zupi.com.br)

SAÚDE E EDUCAÇÃO: BRASIL É SINÔNIMO DE RITALINA


Humberto Monteiro, jovem advogado curvelano, atuante e preocupado com grandes questões da sociedade, recentemente, em bate-papo inbox, na rede social Facebook, trocou ideias com a Lili sobre o uso indiscriminado do medicamento conhecido como Ritalina e o aumento das indicações desse medicamento em Curvelo - inclusive com consequências diretas para o Poder Público Municipal, que é obrigado, através de ações na justiça, a fornecê-lo às crianças diagnosticadas com TDAH - Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade. Leia e fique por dentro do que pensam profissionais da medicina e educação, como a pediatra da UNICAMP, Maria A. A. Moysés (foto), que é contra o uso indiscriminado desse medicamento.





A LIÇÃO DA TARTARUGA


Terça é dia de reciclar. Vamos trabalhar hoje as já muito divulgadas garrafas pet. Tá. Você já ta cansado de ver isso. Mas essa ideia é pra aqueles dias em que a criançada está agitada, precisando de alguma coisa pra fazer e todas as suas alternativas já se esgotaram! Olha só que fofas essas tartaruguinhas, que o pessoal da Revista do Artesanato inventou pra gente se divertir com os filhotes, sobrinhos, netos e afilhados! Quer saber direitinho como faz e copiar outras ideias? Entra lá! Mas...enquanto faz o brinquedinho, reflita: na vida é preciso também reciclar as ideias. Ficar parado pensando sempre nas mesmas coisas pode dar num monte teia de aranha na cabeça... Observe as tartarugas. Até elas, que são tão vagarosas, chegam aos seus objetivos caminhando, caminhando, importando-se menos com a velocidade do caminhar e mais com o lugar onde quer chegar.  Beijo da Lili.
Fonte: http://www.revistaartesanato.com.br/reciclagem/brinquedo-reciclado-tartaruguinha-feita-com-garrafa-pet/

domingo, 25 de agosto de 2013

Conto nº 13 - O LIVRO DE LILI

Um quadro se desenhava à frente da propriedade. Era triste a noite, mas não era de todo. Entre a cortina de nuvens que ia se formando no alto, bem próximo, o clarão da aurora formava um véu de luz e sonho no qual ela firmava os olhos. Ali depositava a esperança que julgou perdida até então.
As luzes do caminho até o aeroporto ainda estavam piscando, como vagalumes: chamando, chamando...
Saudade era um sentimento esquisito pra ela, que não sabia pensar naquela língua tão peculiar e confusa. Mas ainda assim, sentia. Com tamanha força era, que nem um pequeno pensamento conseguia disfarçar o ardor que lhe ia no peito. Devia mesmo ser assim o sentir da saudade. Devia mesmo ser. Na sombra da noite via tantos contornos parecidos com as coisas de que gostava ou mesmo das coisas que temia, que o sonhar já não carecia de ter os olhos abertos. No lume do fim do horizonte residia algo que a mantinha ali, querendo ir. Morrer devia ser parecido com isso: um querer muito sem saber bem o quê, misturado com vontade e medo. Um ir-e-ficar misturados, como se a vida estivesse pendurada no tênue fio que separa a madrugada da manhã.
(Conto nº 13 - O LIVRO DE LILI - Foto: Arthuro Braziolli)

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Era uma vez...um quarto sem graça e uma princesa dona do sorriso mais lindo do mundo. Um dia, a princesa viajou pra muito longe. Aí a mãe dela, que não era uma fada-madrinha, mas passava perto, resolveu dar um empurrãozinho e deixar essa história do jeito que ela deveria ser. No lugar de uma varinha de condão, pincéis e tinta...muita tinta! E uma garrafa de bom vinho, claro! Quando a princesa retornou de sua viagem pelo vale dos arranha-céus, eis que encontrou sua abóbora transformada numa linda carruagem. E com um detalhe muito importante. Depois da meia-noite o encanto não acaba!
Veja agora como dar uma de fada-madrinha também e transformar um quarto comum em um quarto de revista!
 Materiais indispensáveis: pinceis, tinta e um bom vinho pra inspirar! Pincel da Loja Duarte (2,60) e250 ml de tinta Ouro Velho, Brasilux, feita pela Nova Cores (7,00)
 Lápis na mão...começando os desenhos na parede maior..
 Desenhar no alto dá trabalho, mas no fim o trabalho compensa...
 ...eis que uma linda plantinha começa a subir pelas paredes...
 ...e vai subindo...
 ...e assim a obra começou a tomar forma... 
 Forrar o chão é indispensável...a tinta usada foi a Ouro Velho, da Brasilux, feita pela Nova Cores (loja super bacana da Kelly e do Paulinho que tem de tudo pra fazer uma transformação em qualquer ambiente)
 ...olha só como moldura dourada foi crescendo pelas paredes...
 ...moldura dourada para um sonho de ouro...
 ... o resultado vai começando a aparecer... 
 ...passarinhos de ouro na parede do quarto? Sim, é possível!
...passarinhos de ouro na parede do quarto? Sim, é possível! 
 ...a gaiola na parede é um charme a mais...um adesivo que se compra nas melhores papelarias 

...agora a tinta automotiva Preto Fosco, também da Brasilux, na Nova Cores (23,00)...
 Aplicada com rolo, no centro...
 ...e depois aplicada com pincel chato pequeno, nos detalhes, pra fazer os contornos, sem afetar a moldura...
 ...e enfim...
...o quadro-negro com moldura dourada ficou pronto! A princesa vai poder desenhar e dar asas à sua imaginação.. .
 ...os detalhes...à medida que o trabalho vai avançando, a gente percebe que são fundamentais...
 Um varal de fotos com luzinhas (o resto do Natal) e a plaquinha do Keep Calm... (R$15,00) um charme! 
 A cama era branquinha já fazia tempo. Mas a princesa cresceu e achou aquilo muito certinho demais...princesa moderna é tudo de bom! 

...então a fada-madrinha tratou de dar um jeitinho nisso também: spray Preto Brilhante, da Colorart, também na Nova Cores (14,00). A cama recebeu toques cor de ouro, como vocês vão ver...
 ...olha aí! 


...sabe aquela mesinha de computador velha e sem graça? Nada que uma lata de spray Cereja, da Coralart (14,00) não resolva. Olha o detalhe da gaveta dourada! Ah! A velha arara abriga os cabides rosa-chock e custaram 1,99 cada.
 Luzinhas do natal ficam lindas, né?
 ...sabe os espeilhos de 1,99? Com uma varinha de condão eles se transformam num mural espelhado para a nova penteadeira da princesa...
 A velha estante de escritório cinza e cizuda também foi transformada com spray Preto Brilhante. Até a guitarra ficou mais feliz ao lado dela, sobre a almofadinha... 


Um caixote de feira? Nãaaaoooo...com tinta branca ele virou uma mesinha de apoio super descolada. Bastou uns acessórios dourados (velhos objetos pintados com spray dourado, um porta-retrato...e até os sneekers ficaram exibidinhos aqui!)


...deu até vontade de deitar!

A fada-madrinha mandou fazer um dossel numa serralheria (170,00). Dossel é esse suporte, que pode ser feito de madeira também e onde se pode colocar uma charmosa cortina de voil branco (8,90 o metro em qualquer loja do ramo). Quarto de princesa sem dossel não é quarto de princesa...
 ...luzes na parede...
 Uma colcha florida... 
 ... o visulal ficou lindo,né? 

...Final Feliz: a princesa chegou e tomou um susto com o novo quarto, gente! A-do-rou!

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Essa tal Felicidade


É preciso ter calma quando a tempestade está chegando. Mas é preciso ser tempestade quando a calma significar a morte da alegria.

Ela estava envolta em pensamentos quando o raio iluminou o quarto. No centro da sala um vulto lhe chamou a atenção. No escuro, tateou um apoio. Pôs os pés sobre os cacos de vidro e, ainda assim, não se cortou. A casa, antigo recanto de muitas lembranças, não lhe punha medo na alma. Era janeiro. Estava quente. A brisa rapidamente transformou-se em uma grande armada no céu, com seus cavaleiros galopando as nuvens.
Naquele ano não haveria porque temer o desconhecido. Tudo era previsível. Tudo estava pronto e certo. As surpresas não eram o seu forte. Mas o imprevisível é a arte dos deuses, aquela que nenhum mortal detém. Assim como aquela tempestade cor de chumbo, vários de seus sonhos e projetos foram desabando - um a um - como se nada pudesse ser feito para deter o Destino - esse deus implacável, primo-irmão do Tempo e, no seu caso, muito amigo da Solidão.
Lídia tinha vinte e poucos anos quando descobriu que não seria feliz tão cedo. Depois da decepção com um primo que lhe jurara amor eterno e sumira no mundo pra nunca mais, passara de braços em braços  tentando encontrar de novo a tal Felicidade. Na busca, jurava ter encontrado um outro amor, daqueles de que falam os livros de Jorge Amado, com sexo e poesias ardentes. Convenceu-se então de que ali residia o melhor dos mundos. Mas o casamento, numa sexta de carnaval ensolarada, não lhe fizera tão bem quanto pensara. Teve por testemunhas apenas a sogra e uma tia, que se revezavam na tarefa de babá da filha de um ano. Além delas, apenas as marchinhas carnavalescas, os bêbados travestidos em seus bois e o som das marchinhas. Não era santa, mas também não tinha grandes pecados, por isso, sinceramente - sonhou - merecia e haveria de ser feliz. Contou pelo menos três ou quatro amantes do já desencantado marido antes de se convencer de que não havia feito boa coisa naquele cartório. E, pelo andar da carruagem e muitas noites sem dormir, não havia de ter feito boa coisa nas outras vidas que acaso tivesse vivido. Conformou-se de pagar seu quinhão. Aceitou-se escrava do Destino, à espera de que um dia o Tempo se compadecesse e lhe trouxesse a Felicidade.
Claro que não deu certo esse negócio de conformar-se. Lídia perdeu o bonde da própria vida, colocando sua identidade nas mãos de um desconhecido com o qual dormia pensando ser o marido. O estranho foi revelando-se aos poucos, com um grunhido aqui, um abandono ali, qualquer coisa sutil que lhe magoasse. E, finalmente, os tapas e agressões públicas lhe revelaram totalmente a face. Quem era aquele cara com quem trocara alianças ao som de Máscara Negra e Estrela Dalva? Demorou a descobrir que na verdade esteve vivendo um baile a fantasia, um grotesco baile de máscaras durante boa parte da sua juventude. Dois filhos e muitas humilhações depois daquele fevereiro, ela  recebeu do Destino um presente: a Liberdade finalmente a visitou.
As promessas da visitante ilustre a encantaram e ao mesmo tempo lhe meteram medo. Tudo era novo e desconhecido naquele mundo onde se podia ir e vir sem receio. Sentiu-se poderosa e frágil.
Nem bem se acostumara com os louros da nova vida, uma companheira se apresentou para que aprendesse outras lições.  A Solidão era mansa, mas tão pesada e triste quanto uma vida sem música ou bolos de aniversário. Chegar em casa não era ruim, mas a cama tinha a imensidão do mar e as noites o tamanho do espaço sideral, com todas as suas galaxias. Seu coração, acostumado a estar ocupado e dedicado a alguém, fosse quem fosse, desde a mais tenra idade, pulsava por um afago, um afeto que fosse. Foi quando, num mar de palavras e teclas de computador, o Amor chegou.
Não se apresentou de fato. Travestira-se de Amizade. Ficou por anos e anos assim, cândido e simples, como só as amizades sinceras o podem ser. A cada confidência, a cada dia de trabalho, a cada problema vencido, um laço mais forte foi se firmando. Irmãos? Claro. Para sempre. Isso ela pensava. E ele, pensava ela, também. Até que o Destino os colocou, sem qualquer máscara e desvestidos de qualquer ilusão, um frente ao outro, numa noite de setembro. Foi um susto. Não podia ser, não era pra ser. Mas foi. Não foi o tempo todo  de sons de violinos e pássaros cantando, nem havia um sapato de cristal na escadaria e um príncipe a se debruçar sobre o cavalo branco. Mas as horas passavam simples e as palavras tinham sabor de almoço em família e beijos roubados. Trabalho pesado, filhos na escola, casa com empregada, filmes com pipoca, cheiro de café fresco, burburinho pela casa, contas a pagar, domingos no sítio, soneca no sofá, pés entrelaçados na cama, briguinhas bobas e conchinha na hora de dormir.
Lídia estava sentada no chão da sala, à espera do próximo gole de vinho que automaticamente sua mão trêmula lhe servia. A Solidão, de novo, lhe olhava de frente sorrindo. O que havia acontecido entre aquele beijo quente de setembro e o frio telefonema de ontem? Em que ponto daquela história os caminhos se desencontraram? Como a taça que espatifou-se no mármore frio da sala, alguma coisa havia se quebrado dentro dela. A cama, novamente imensa, era uma ameaça ao juízo e um convite ao pranto. Lhe restaram as festas e rostos estranhos nas noites vazias. Não. Já não havia mais tempo nem espírito para carnavais juvenis ou fantasias tolas. A Felicidade definitivamente lhe pregara uma peça, tornando-a um peão no tabuleiro da Vida, onde o Destino controlava tudo. Fazer-se forte era a única saída. Mas, antes, precisava desabar como uma tempestade. Olhar de novo para o horizonte da própria história e não enxergar ninguém ao seu lado era estranho e dolorido. As lágrimas se misturaram mais uma vez ao doce-amargo do vinho. Naquele momento, com as lanças cor de prata a perfurar as cortinas e clarear seu semblante na sala vazia, chorar era o único  gesto sem esforço.
Definitivamente, olhar para trás era doloroso. Entender as próprias escolhas era quase uma tentativa de perdoar-se. Deixou que as lágrimas escorressem pelo rosto como as gotas da chuva na vidraça. E pediu ao Destino que lhe poupasse de mais um engodo. Trancaria o coração. Estava finalmente decidida a buscar a Felicidade apenas dentro de si mesma.