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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Sobre tijolos e sonhos

Há algum tempo venho acalentando um sonho meio besta, mas minha avó dizia que nenhum sonho deve ser ignorado. Também aprendi que primeiro a gente sonha acordado, daí de tanto sonhar acordado, passa a sonhar dormindo e daí o sonho pula pro papel e só então ele acontece. Fiquei na etapa do sonhar acordada um bom tempo com uma parede de tijolinhos. Não vale rir, eu disse que o sonho era besta.
Pois é. A gente tem mania de ignorar pequenos sonhos, como se somente os grandes valessem a pena. Ledo engano de quem pensa que sonho se mede pelo glamour. Nessa vida de interiorana eu aprendi que sonho quanto mais simples, tão melhor e mais importante ele é. Daí acabo de concluir que sonho grande é sonho pequenininho. Meio doido isso, né? Não sei como é, só sei que é assim. Por isso minha parede de tijolinhos aconteceu aqui, no meio da cidade grande, num apartamento que nem tijolinhos tinha. Cimento e tijolo no apto nem pensar. Calejei as ideias e bati o martelo: vai ter que ser. E aí ela surgiu. Deu trabalho, mas sonho é como filho - se não dá trabalho, não vale. Então taí o PAP de como nasceu uma parede de tijolinhos envelhecidos, sem quebra-quebra, sem cimento, sem tijolo. Mas peraí? Parede de tijolinhos sem tijolo? É papel? Não. É tecido? Não. Dou um doce pra quem acertar. Vejam as fotos aí e confiram:

Era uma vez uma paredinha meio esverdeada e sem graça...O cantinho estava até mais ou menos, mas faltava alguma coisa que a tornasse mais interessante e aconchegante, né?
Aí a gente resolveu dar asas ao sonho que antes estava amarrado no pé de ideias. Desatado o nó, o sonho ganhou mundo. Começou com uma espátula e uma lata de massa de texturizar (dessas mais baratinhas mesmo, viu?¨). Ah! Foi preciso uma escadinha e uma dose de paciência pra aguentar ficar de papo pro ar um tempinho, viu?
Olha euzinha aí de novo, com a mão na massa e a paredinha de tijolinhos fake surginho aos poucos na minha frente...

Pois aí está a primeira dica: a espátula tem de ser média, da largura do tijolinho que se quer fazer. Pegue uma boa quantidade de massa com a ponta da espátula e vá "assentando" cada tijolinho em linha reta, tomando o cuidado de deixar beiradinhas salientes, como alto relevo. Pare e veja de longe de vez em quando pra não correr o risco de sair do prumo e a parede ficar torta! Nas laterais  há sempre os meio-tijolos, aqueles que ficam pela metade...

 E a bagunça continua... Corantes Xadrez, baratinhos (2,50 cada e se compra em casas de tinta) nas cores marrom, vermelho e amarelo. Um pouquinho só de tinta latex branca, fita adesiva, estopa, um pedaço de pano, pincel grosso (desses redondos).

Misturinha pronta, mão na tinta (com luvas dessas que vem em caixa de tintura de cabelo). Faça cor parecida com tijolo queimado. Marrom claro, marrom escuro, avermelhado, alaranjado... o importante é que os tijolos não fiquem homogêneos, porque uma parede de verdade, quando descoberta, não fica certinha. Resumindo: a beleza está na imperfeição. Vá molhando a estopa ou o pincel e dando batidinhas em cada tijolinho, manchando, tinjindo...Falando nisso, não sei porque essa foto ta insistindo em ficar assim, de banda, então não vou contrariar...

Esse aí é meu sobrinho Zéotávio, isolando as gretas (os intervalnhos entre os tijolinhos) com fita adesiva, pra não entrar tinta onde não pra entrar...
Olha só como vai ficando a obra...ta toda borrada porque tem tinta na fita crepe dos intervalos entre tijolos, entenderam? Depois que tira a fita, isso some e fica bonito. Paciência, ta?

 
Como eu disse, a parede vai surgindo na frente da gente... e o sonho vai tomando forma...Espere tudo secar bem, de um dia para o outro...

Mas todo sonho que é sonho precisa ser bem acabado, pra virar realidade, né não? E pra isso preciso dar uns pulos. Então vai aqui o  pulo do gato! Pegue tinta latex, espalhe com a mão mesmo, numa tampa ou tábua (usei a tampa do pote de sorvete rssr...)



Molhe um pano nessa tinta (pode ser uma fralda, uma toalha velha mesmo)


E vá batendo e manchando os tijolos, como se fosse cal. A ideia é deixar a parede com cara de "descoberta", como se você tivesse quebrado uma parede de sua casinha e encontrado esse tesouro...


E como diz o meu amigo francês: "voilà!" Me digam: ficou ou não mais interessante? Bom... pra mim foi um sonho realizado. Daqui a pouco, posto mais umas coisinhas que andei fazendo no último sábado, ta?
Bj a todos.


quarta-feira, 30 de junho de 2010

De abóbora a Cinderelo: breve história de um sofá

Pois é. Prometido é cumprido. Aí está ele, meu sofazinho dois lugares, velhinho (antes) e de capa nova (depois), em brim peletizado cru, feito pela Capotaria Portugal. Gostei demais. Valeu cada um dos 300 reais que estou pagando em três iguais. Bom, né?
Fiquei contente demais por encontrar gente que pensa que nem eu e não tem medo de juntar cacarecos e guardar retalhos, reciclar, reusar, reformar, transformar e gastar menos. Claro que eu ia gostar muito mesmo de um sofazão daqueles de novela (já viram que gostosura o sofá da Beth Gouveia de Passione?). Mas ele deve custar os olhos da cara da Fernanda Montenegro, imagino. Como aliás, muitos parecidos que vi na bendita internet. Então, vamos de reforma mesmo. Ta de bom tamanho e a natureza agradece. Sem falar na conta bancária..ri ri ri...
Daqui um tempinho mostro o resultado do sofá 3 lugares pelo qual me apaixonei depois de resgatá-lo na porta do condomínio (não, esse eu não vou reformar, só costumizar, caseiramente, até que a compra de um novo nos separe). Segundo a Viviane, do fantástico DeCoeuração, ele não se parece em nada com o meu querido e sonhado chesterfield, portanto, vai ser melhor partir pra outra relação. Aos poucos e em suavíssimas prestações. Vou lhes apresentar no momento certo, bem como à mesinha de vime que me acompanha há pelo menos 18 anos e um criadinho-mudo que meu namorido pintou com a tinha errada e eu vou ter de consertar. Por enquanto olhem o resultado do meu querido 2 lugares, onde me recosto pra ver meus filmes favoritos, novelinhas, jornais e ler as revistas que amo.